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Tudo Menos Quadrinhos

Postado por Tudo Menos HQ em 15/10/2007 23:01

Tropa de Elite e o discurso desqualificativo
Assisti TROPA DE ELITE. E antes que me perguntem, foi uma cópia pirata baixada da internet. Por que ninguém é totalmente bom e nem totalmente mal. Da mesma forma não o são nem os traficantes e nem a polícia e nem o BOPE. Mas é preciso concordar que, numa sociedade civilizada, existem aqueles que são mais "maus" do que "bons". E há de se verificar a responsabilidade de cada um na vida em que vivemos.

Antes de mais nada, é preciso dizer que o sucesso do filme (Ao contrário do que evidência VEJA em sua capa dizendo que se deve ao fato de mostrar bandido como bandido e por mostrar usuários de drogas como parceiros do crime) se deve a coisas simples, eu diria que "regras básicas" do cinema de entertenimento: Um EXCELENTE história MUITO BEM CONTADA, uma EXCELENTE direção, EXCELENTES interpretações e por não se perder em dicotmias filosóficas mostrando claramente o lado do Bem (a polícia ainda que seja a do BOPE) e o lado do Mal(Os traficantes e a polícia corrupta). Aí fica fácil escolher um time e torcer pra ele. Ainda mais quando o lado do mal pode ser visto todos os dias nos noticiários e no qual muita gente de verdade já sofreu por causa deles. Então, a truculência do BOPE com os traficantes é a nossa desforra de cidadãos comuns que não podem fazer nada e que não conseguem nada do governo e sua polícia. Nós, brasileiros, estamos cansados de perder e, por isso, mesmo que seja na ficção, torcemos para que a Tropa de Elite dê aquele troco que não podemos dar. Esse é o grande motivo do sucesso do filme, na minha opinião.

Quanto ao discurso desqualificativo, ele se deve ao fato de que as pessoas hoje em dia não encontram discursos qualificativos a cerca de opiniões contrárias. Eles só conhecem a estratégia do discurso desqualificativo e que gere confusão. Por isso o filme tem recebido adjetivos pejorativos de "facista", "truculento", "faltar com a realidade mostrando que só o BOPE como heróis e o resto(sociedade, policiais e traficantes como bandidos)" e etc.

Sobretudo, uma parte da sociedade ficou em polvorosa ao ser retratada como financiadora do trafico. Na minha opinião, quem ficou ofendido é por que vestiu a carapuça. Eu não compro maconha e nem cocaína e não me vi como financiador do tráfico. O Filme retratou universos e não TODO O UNIVERSO desses seres. Por exemplo, ele retratou alguns esquadrões do BOPE e não todos, logo pode ter agentes corruptos no BOPE. mas e daí? Ele retratou PMs corruptos mas mostrou que dois dos mais honestos vieram da PM (E não vem todos do BOPE?).

Fosse totalmente fictício, o filme não despertaria tantos debates. Mas por mostrar verdades que todos (sociedade, governo, polícias) querem, de alguma forma, esconder, o fimle atingiu proporções maiores do que ele esperava.

Mas repito: O sucesso do filme se deve, em primeiro lugar, ao fato dele ser bom! Eu queria ver se o filme tratasse de um romance açucarado entre o Matias e a Roberta (Acho que era esse o nome dela) sem tiroteio e com atores canastrões filmados em estúdio ou favelas cenográficas se o filme ia suscitar tanto oba-oba.

O BOPE é o nosso herói hoje em dia. Mas o Brasil não tem heróis. Ninguém quer que o Brasil tenha heróis. mesmo que sejam heróis truculentos como os do BOPE. Mas é como se diz por aí: "Não dá pra se fazer um bolo sem quebrar alguns ovos".

É FACA NA CAVEIRA!!!!!!!!!



Comentários (6):

Em 16/10/2007, às 00:00:05, Jean Ok disse:
Acho que um ótimo "apêndice" ao filme seria o vídeo da entrevista que o José Padilha concedeu ao programa Roda Viva (toda segunda, na TV Cultura, se é que alguém além de mim vê os programas dessa emissora).

Me parece que grande parte da polêmica se deve ao fato de que muita gente confunde a opinião do PERSONAGEM com a opinião transmitida PELO FILME. São coisas completamente diferentes. José Padilha faz mais uma denúncia do comportamento do BOPE do que uma defesa - mas ele entende que, coms as regras do jogo que são impostas aos policiais do BOPE, os caras não têm muita alternativa. A proposta do Padilha (e eu concordo com ele) é MUDAR AS REGRAS DO JOGO: descriminalizar o comércio de drogas.

"Tropa de Elite" não é fascista. Como disse o PRÓPRIO DIRETOR numa entrevista: facista é quem acha que o Capitão Nascimento está certo.
Em 16/10/2007, às 11:47:03, Leo Santana disse:
xiiiii... então eu sou meio facista (ou totalmente) por que eu acho que o Capitão Nascimento está mais do que certo.
Fosse nos EUA, o Capitão Nascimento seria uma espécie de Dirty Harry. Só que mais mal. ;)
Não acho que descriminalizar as drogas resolva. Talvez dê ao traficante o Status Quo que ele tanto precise. "Não senhor, não sou bandido, sou empresário do ramo dos psicotrópicos".
Eu concordo que as atitudes do BOPE no filme são uma espécie de denúncia mas, nessa esculhambação chamada Brasil, antes fazer o mal e o errado em prol de atingir bons objetivos do que ser mal e errado em prol de objetivos ainda piores. Ou seja, na casa de mãe Joana, os fins justificam os meios.
Uma coisa interessante que não comentei anteriormente é que, pela primeira vez, podemos acompanhar a vida dos políciais como seres humanos. Antes, eles sempre pareciam caricaturas despersonalizadas enquanto aos bandidos do morro, toda uma aura humana era construída de forma simpatizante e penosa. O Debate é bom
Em 16/10/2007, às 13:48:02, Jean Ok disse:
Acho que isso faz de vc um fascista, sim. Mas não se preocupe, no Brasil toda a classe média é, e hoje em dia até consideram isso uma virtude. =)

Do jeito que eu imagino, com a descriminalização, as drogas devem sair das mãos de traficantes e ir pra empresas que queiram explorar o negócio. O tráfico não teria mais sentido de existir. Por que um viciado iria comprar de um traficante se poderia comprar numa "loja do ramo"?

Veja bem, quando digo que sou a favor de liberarem as drogas, não quer dizer que eu desejo que as pessoas se droguem. O caso é que não adianta a gente dizer pros jovens de classe média pararem de tomar drogas, porque eles NÃO VÃO parar. Então, já que não vão parar, é melhor comprarem o barato numa farmácia do que na mão de um bandido (que vai transformar esse dinheiro em armas).

Pode até não ser a melhor solução, mas a truculência policial tb não é. Se ela fosse capaz de acabar com o tráfico, já teria acabado.
Em 16/10/2007, às 13:52:13, Jean Ok disse:
O próprio Cap. Nascimento chega a essa conclusão no final do filme, a propósito. O cara, durante vários anos, apostou que a violência se combate a violência, mas no fim ele viu que essa aposta é furada.

Mas concordo com vc que o sucesso do filme é porque ele é um bom filme. A Veja é uma merda mesmo, a pior revista do planeta. Não sei porque vc ainda lê isso. =P
Em 16/10/2007, às 14:21:32, Leo Santana disse:
ehehehe... Eu não compro a VEJA mas minha sogra, que assina a revista, me mostrou a capa e eu quis ler. Mesmo sabendo que a VEJA ia direcionar a matéria para o que ELA ACHA E QUER INCUTIR NA CABEÇA DE SEUS LEITORES. Mesmo assim, achei por bem ver todos os lados.

A VEJA é a revista MAIS TENDENCIONISTA que já existiu! É uma coisa DESCARADA! É uma das revistas que envergonham a profissão do Jornalista! Eu até admito que um colunista expresse sua opinião de forma contundente mas o jornalista deve ater-se aos fatos e deixar os juízos para os leitores. É isso que forma leitores críticos e uma sociedade melhor. O que a VEJA faz é formar rebanhos de seus credos e estupidificar a sociedade Brasileira.
Em 16/10/2007, às 17:23:46, Kainã Mori | fotolog disse:
é um bom filme, tende a ser parcial na medida que mostra os interesses e objetivos que movem os personagens q entram no BOPE. mas como foi discutido acima, numa civilização devemos ter confiança na polícia, pois estes são a linha tênue para a barbaria, o caos esta geminando é na sociedade que deve sempre questionar os seus atuais valores éticos.
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