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Tupynanquim Editora

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Categoria: Artes
Postado por Klévisson Viana em 23/09/2009 13:33

MORRE ALBERTO PORFÍRIO, UM MESTRE DA POESIA
*****
Faleceu hoje em Fortaleza (23 de setembro de 2009) às 9:00 h, o poeta popular, escultor e xilógrafo ALBERTO PORFÍRIO, um dos maiores mestres da poesia popular cearense.

Seus poemas mais famosos são "A estátua do Jorge", "Cantiga da Dorinha", "Eu gostei mais foi do Cão", "No tempo da lamparina" e "Porque não aprendi a ler".

Cordelista inspirado, é autor de vários folhetos, muitos deles publicados pela Tupynanquim Editora, de Klévisson Viana.

Figura amada e respeitada no meio da cantoria e do cordel, nunca teve o seu talento reconhecido pela mídia, apesar de ter uma verve tão inspirada quanto a de Patativa do Assaré.

Façamos uma justa e derradeira homenagem a esse GÊNIO da poesia nordestina.

Veja a biografia do mestre:

Alberto Porfírio da Silva nasceu em Quixadá-Ce. Em 23 de dezembro de 1926. Filho de Porfírio Sabino da Silva e de Maria Joana do E. Santo, dona Moça. Alfabetizou-se aos 10 anos com a própria mãe, depois concluiu seu curso primário no Ginásio Santa Cruz, Parangaba e fez o curso de Pedagogia aos 40 anos na Universidade Federal de Fortaleza-UFC.

Casou-se aos 23 anos com dona Maria Rosendo e tiveram 9 filhos.
Se fez cantador violeiro e, cordelista escrevendo quase 100 livrinhos de cordel. Escreveu livros de prosa e poesia e tem publicado os seguintes livros: POETAS POPULARES E CANTADORES DO CEARÁ (1978). Escreveu para a UGF EDITORA em Minas Gerais, em parceria com escritores escolhidos do Brasil o livro CONTA BRASIL 2000.

Seu terceiro livro é o LIVRO DA CANTORIA, metodologia do repente e do cordel que foi escrito nas pequenas cavernas de Quixadá.
Seu quarto livro foi o recém-publicado AS NOITES DAS VIOLAS NA CASA DE JUVENAL GALENO. Também publicou o livro OS 100 SONETOS DE ALBERTO PORFÍRIO. E está trabalhando o livro intitulado HISTÓRIAS QUE O POVO CONTA.

Como escultor esculpiu as seguintes estátuas: a estátua de Cego Aderaldo em Quixadá (em parceria) e a estátua do Pe. Zé Bezerra, no Choro; esculpiu a estátua do cantador do Brasil, em Brasília a qual foi inaugurada pelo presidente Sarney. Ainda esculpiu as estátuas do Frei Damião, em Apodi, no RN e a estátua do cantador Eliseu Ventania, em Mossoró.

Tem ele o seu espaço cultural em Quixadá onde escreveu em alto relevo, nas pedras, inúmeros sonetos e, esculpi estátuas de personalidades como se ver ali a estátua da famosa escritora Rachel de Queiroz.
Perguntado qual a obra de sua estima ele respondeu:
Da minha literatura a que eu mais gosto é o folhetinho de 08 páginas intitulado UM SONHO DOURADO e das esculturas a obra que eu mais gosto é a viola de cimento que toca.

Numa entrevista, alguém admirado, perguntou porque ele se escondia nas pedras de Quixadá para estudar e escrever os seus livros, ele disse:
Lá, mais facilmente, a gente se concentra em Deus ao olhar a natureza e fica inspirado para escrever. Deus pôs o homem na Terra exclusivamente para estudar, trabalhar e produzir para ajudar na construção do mundo.



Comentários (6):

Em 23/09/2009, às 13:40:44, Kampos disse:
Olá olá!! Tudo bem? ;)....
Vim convidar vc a conhecer meu fotolog onde coloco minhas tiras em quadrinhos do VIDA DE LEITURISTA, e desenhos relacionados. Aguardo sua visita, e se gostar adicione na lista de favoritos, ok? Deixe comentários, tá!? ;)....
VALEU!!

www.fotolog.terra.com.br/vidadeleiturista
Em 23/09/2009, às 13:42:18, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
Alberto Porfírio foi um mestre da chamada "POESIA MATUTA". Trabalhos como "No tempo da Lamparina" e "Eu gostei mais foi do cão" são simplesmente primorosos.
Leiam textos que enviei para o blog do poeta MARCO HAURELIO:

http://marcohaurelio.blogspot.com/

Em 23/09/2009, às 14:47:02, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
IDÉIAS DE CABÔCLO
Estraído do Livro:
"POETAS PUPULARES E CANTADORES DO CEARÁ,
de Alberto Porfírio


O professô dos menino
Fala, fala chega estronda!
Querendo qui eu acredite
Qui a terra seja redonda.

Não, senhor, num acredito
Nunca pude acreditá
Qui viva assim todo mundo
Andando em cima duma bola
Sem nunca iscorregá!

Vós mincê preste atenção,
Um monstro cuma é o trem!...
Se a terra fosse redonda,
Iscorrega tombém.

Ele só diz qui a terra
Veve solta no espaço
Rodando num canto só
Sem tê nada de embaraço.
Muvimenta... muvimenta
E nunca descansa um pedaço,
E qui é as volta qui ela dá
Qui serve pra controlá
A frieza e o mormaço.

Num acredito!... não! não!
Qué sabê cuma é a terra
Na minha maginação?
É um prato feito de barro
Mal feito mais bem grandão!
Emborcado em riba d’água
N’uma firme pusição,
Cum a gente morando in riba
Cum toda satisfação.

Vou prová cuma é mermo
Vou dá toda a insplicação:

Quando Deus fez este mundo
Mandou a terra secá,
Mandou se juntá as água
E foi assim qui fez os má.
E se a terra fosse doida
Rodando pra se acabá,
Tinha derramado as água
E era até pirigoso
O próprio Deus se afogá.

Tá certo ou num tá?!

Os home religioso
Gostun de dizê a gente
Qui tem um tal de inferno
De fogo qui é munto quente
Qui vai pra dentro desse fogo
As alma dessas pessoa
Qui num vão munto decente

Desses home priguiçoso
Qui num quere trabaiá;
Dessas muié vaidosa
Qui usun as roupa curta
Qui é do juêio pra lá;
Qui usun outras safadage
Fazendo a gente pecá
Dispois tudo morre
Vai morá nesse lugá
Debaixo desse arguidá.

Agora eu aviso os home
Qui pras muié são ingrato
Tombém aviso as muié
Qui andun de ponta-de-pé
Mode os sarto do sapato;
Dão zunhada e esconde as unha
Fazendo a moda de gato
Se morrê nesses pecado
Vão pra debaixo do prato...

Em 23/09/2009, às 15:30:31, Marco Haurélio disse:
Ser esquecido inda em vida
É do artista o martírio.
Pesquisadores incautos
Chamam girassol de lírio,
Omitem a poesia viva
Do mestre Alberto Porfírio.

Que a morte não cale nunca
Seus poemas emotivos.
Disse Cecília Meireles,
"Vossos mortos são mais vivos
E contra vós de longe abrem
Grandes olhos pensativos".
Em 24/09/2009, às 00:53:55, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
"Deus pôs o homem na Terra exclusivamente para estudar, trabalhar e produzir para ajudar na construção do mundo."
Uma frase como esta, só poderia partir de um coração puro. Portanto, tudo que foi dito aqui, é pouco diante da grandeza da pessoa aqui homenageada.

Em 24/09/2009, às 12:01:16, KLÉVISSON VIANA disse:
*****

AO MESTRE ALBERTO PORFÍRIO
Autor: Klévisson Viana


Artista como Porfírio
Não nascerá mais nenhum
Com seu talento incomum
Tinha a pureza do lírio
Sofreu amor e martírio
Como todo menestrel
Mas sendo à arte fiel
Tinha talento de sobra
Morre o homem, fica a obra
Gravada em pedra e papel.

Lapidou versos na rocha
Fez esculturas nos versos
Rompeu vários universos
Empunhando a sua tocha
Como a flor que desabrocha
Seu estro de menestrel
Tinha a doçura do mel
Um gigante da palavra
Morre o homem fica a lavra
Gravada em pedra e papel.

Foi repentista inspirado
No verso foi professor
Seguiu sempre com amor
Tendo a viola de lado
Cantou bem, foi respeitado
Foi gigante do cordel
Ganhou palmas e laurel
No Nordeste em toda parte
Morre o homem fica a arte
Gravada em pedra e papel.

Vá em paz, meu bom poeta
Nessa nova caminhada
E lá na mansão sagrada
Onde a alma se completa
Jesus, o maior profeta
Lhe abrace com São Miguel...
E que o trono de Emanuel
Lhe dê amável acolhida
Morre o homem fica a vida
Gravada em pedra e papel.

Seja mais um passarinho
No pomar do Criador
Castro Alves, o Condor
Seguiu no mesmo caminho
Aderaldo, Canhotinho...
E todo bom menestrel
Que contemplando o vergel
Escreve para os ateus
Que o poeta é a voz de Deus
Gravada em pedra e papel.

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