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Tupynanquim Editora

A TUPYNANQUIM é uma editora genuinamente popular. Criada em 1995, inicialmente, publicou livros, revistas e jornais variados e a partir de 1999 passou a dedicar-se exclusivamente a Literatura de Cordel e as Histórias em Quadrinhos. Há uma década trabalhando com a lira popular já publicou quase 600 obras de mais de uma centena de autores, inéditos e veteranos. Hoje, a TUPYNANQUIM é referência no mundo inteiro. SOLICITE NOSSO CATÁLOGO: (85) 3217-2891 | tupynanquim_editora@ibest.com.br

Categoria: Artes
Postado por Klévisson Viana em 12/06/2008 20:04

ESPECIAL LANÇAMENTO!!!
TUPYNANQUIM TRAZ DE VOLTA
GRANDE CLÁSSICO DE MESTRE ALBERTO PORFÍRIO

A tupynanquim Editora, sempre empenhada em promover a autêntica Literatura de Cordel, traz de volta o grande clássico do Mestre Alberto Porfírio “HISTÓRIA DE ROSA ALICE E O VELHO GONDIM”. O referido romance é, sem sombra de dúvidas, o mais tocante texto produzido por um poeta popular sobre o drama das grandes secas no Nordeste.

Sobre sua obra, Alberto Porfírio assim se expressou:
— Certa vez, eu estava em Banabuiú - CE, ainda jovem, cantando o romance de Pedrinho e Julinha pra um velhinho, bem velhinho assim como estou hoje. Ao finalizar o verso, o ancião me disse: "aconteceu um caso por aqui que daria um rumanço!", e contou-me essa história de Rosa Alice e o velho Gondim. O enredo é praticamente o mesmo, porém dei nome aos personagens e acrescentei alguns ingredientes para tornar a história mais empolgante!

Ao ler a história, o leitor encontrará nela elementos da "Parábola do bom samaritano" e traços que lembram " A Órfã Abandonada" e "Pedro Cem". As histórias se repetem de maneiras diferentes...

O dramaturgo Zé Mapurunga disse-me que só existe uma história no mundo, que é contada e recontada... Talvez uma não, mas uma série de matrizes que dão origem as várias histórias.

O leitor se emocionará muito com a obra de Porfírio. Leia um pequeno trecho:

...
Francisco não quis ouvir
O que o sogro explicou
Tendo já uma filhinha
A esposa convidou
Despediu-se dos parentes
Como um herói viajou.

Pelas estradas desertas
Empreendeu a viagem
Nos oiticicais nativos,
Resistentes à estiagem,
Descansava da fadiga
Sob o frescor da folhagem.

Iam encontrando caveiras
De gente que ali morria
Quase sempre pela sede
De terrível tirania
Pois se achavam o que comer
Água, ali, não existia.

Viajavam pelo dia
Às noites se ocultavam
Pelas cavernas escuras
Que as feras visitavam
E as tristes aves noturnas
Em suas bordas agouravam.

Naquele longo caminho
Chamado estrada real
Pelos donos dos comboios
Os quais transportavam sal
Das salinas potiguares
Em ruma a zona central.

Carros-de-boi gemedores
Cantavam pelas ladeiras
Às noites os corujões
Piavam nas ribanceiras,
Rosnavam pelas quebradas
As pintadas carniceiras.

Em um certo meio dia,
Quando o sol era mais quente,
Ao pousarem numa gruta
Da estrada um pouco ausente
Toparam-se com uma aguada
Salobra, mas permanente.

Era um certo minadouro
Que alguém já conhecia
Em redor, há algumas léguas,
Era a água que havia
O canguçu carniceiro
Era ali onde bebia.

Ali deixando a família
Foi ele água buscar
Quando enchia a vasilha
A fera ao emboscar
O agarrou pelas goelas
E não o deixou nem gritar

Rosa ouviu o rosnado
Da fera quando partiu
Gritou pelo esposo, aflita,
E por ver que ele não ouviu
Apanhou a criancinha
Em rumo de lá seguiu.

Chegando à beira do poço
Viu o sangue derramado
Conhecendo que foi ele
Por uma fera tragado,
Exclamou: — Ó Deus, me acuda,
Neste momento minguado!

Ainda para o rochedo
Ouviu penoso gemido
Não resistindo prostrou-se
Chorando pelo marido
Como uma alucinada
Ficou fora de sentido.

Quando recobrou os ânimos,
Inquieta e comovida,
Exclamou olhando o céu:
— Mãe, puríssima, Concebida,
Pelo amor de Deus, tem pena
Dessa pobre desvalida!

Seja minha companheira
Santíssima virgem senhora
Pelo amor de teu filho
Ouve essa pobre que chora
Por sofrer tamanha dor
Nesta tão terrível hora!

Depois dessa petição
Alentada se sentiu
Pegou a sua filhinha
Botou no braço e saiu
Confiante que sua prece
A Mãe Santíssima ouviu.

Jesus disse aos seus discípulos
Que a fé remove montanhas
E, de fato, quem tem fé
Vence as maiores campanhas;
Por mãos quem não tem espadas
Grandes batalhas são ganhas.

...
Vale à pena conhecer este e muitos outros romances de cordel publicados pela Tupynanquim Editora.
SOLICITE O NOSSO CATÁLOGO PELO E-MAIL:
Tupynanquim_editora@ibest.com.br
ENVIAMOS PARA TODO O BRASIL!!!



Comentários (8):

Em 13/06/2008, às 12:11:24, zeca pereira (BARREIRAS-BA) | e-mail disse:
O cordel do mestre realmente é de primeira qualidade,parabéns ALBERTO, O velho que lhe contou a história com certeza ficaria encantado com o seu trabalho.
Em 13/06/2008, às 15:11:55, Marco Haurélio | e-mail disse:
A Tupynanquim mescla o novo ao "velho", a tradição à modernidade, e o resultado é gratificante.
Li a história do Mestre Alberto Porfírio e, de fato, é comovente em seu realismo cru. Lembrou outro texto que aborda o tema embora conte outra história, AMOÇA QUE MAIS SOFREU NA PARAÍBA DO NORTE, de Antônio Américo de Medeiros. Esta é outra faceta da literatura de cordel: a ficção de caráter regionalista com mensagem universal.
parabéns a todos os envolvidos.
Em 13/06/2008, às 18:18:01, Mauricio disse:
Parabéns Klévisson, por mais um grande lançamento. Deste poeta eu já li NA SOMBRA DA FORCA, o enredo é surpreendente.Tchau!
Em 16/06/2008, às 08:44:55, Marta Moura (Quixadá-CE) disse:
Admiro muito todos os poetas, mas Alberto Porfírio é sensacional. Parabéns a Tupynanquim por mais este lançamento!
Em 16/06/2008, às 10:22:18, Rejane disse:
Em 14/06/2008, às 17:18:12, disse:
A Tupynanquim Editora como sempre resgatando a nossa cultura, de forma bastante artística como a legítima literatura de cordel, nos traz este presente.
Em 16/06/2008, às 13:23:07, Mario Moreno Cavalcante | e-mail disse:
A Literatura de CORDEL está de parabéns por uma editora tão especial. Parabéns poetas, parabéns Tupynanquim!!!
Em 19/06/2008, às 10:33:31, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
ALBERTO PORFIRIO foi o poeta popular que embalou nossa infancia, minha e de Klevisson. Sua poesia chegou aos nossos ouvidos muito antes de PATATIVA DO ASSARÉ. Infelismente, o mestre PORFÍRIO que tem o mesmo talento do poeta de Assaré, não é festejado pelo povo cearense. Coisas do Sucesso. Como dizia ARI LOBO: "Sei lá, esse mundo não é meu, então não sou quem vai explicar..."
Em 18/11/2009, às 12:15:51, Raimundo Nonato | e-mail disse:
Como fazer para adquirir o romance de cordel de Pedrinho e Julinha?
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