Terra Terra Fotolog
LITERATURA DE CORDEL

Esse fotolog visa divulgar a cultura popular dando um enfoque maior para a Literatura de Cordel.

Categoria: Artes
Postado por Varneci Nascimento em 29/01/2009 22:35

NOVO ROMANCE DO POETA ZÉ BARBOSA
O poeta Zé Barbosa é, sem dúvida, a grande revelação da Literatura de Cordel de 2008. Poeta repentista desde a adolescência, de uns anos para cá, após perder a voz, tem-se dedicado a escrever romances e folhetos. Dessa vez lança pela Tupynanquim Editora o romance "Juliana e Juvenal ou O Louco do Cemitério, é uma obra de tirar o fôlego.
José Barbosa de Sousa (Zé Barbosa) é natural de General Sampaio - CE, filho de João Vaz de Sousa e Maria Barbosa de Almeida. Radicado em Teresina há dezoito anos, é autor dos seguintes trabalhos em Cordel: ABC da Pobreza, Mensageiro da Cultura, Cordel na Sala de Aula, Agripino e Rizonete ou O Poder da Fada, Debate do Satanás com O Pai Eterno, Mensagem a Vicente Evangelista e Juliana e Juvenal ou o Louco do Cemitério, dentre outros.
Vejam trechos desse romance espetacular:
...
Ficaram os dois na sombra
Do juazeiro uma hora
Juvenal disse: — Querida
Eu penso que já é hora
De fazermos uma jura,
Quero que responda agora.

Juliana disse: — Eu juro
Que pra ti sou verdadeira,
Te amarei eternamente
Quer meu pai queira ou não queira
Se não me casar contigo
Eu irei morrer solteira.

Juvenal disse: — Querida...
—Entre beijos e abraços—
Outra mulher eu não quero
Para não haver fracassos,
Serei teu por toda a vida,
Irei morrer em teus braços.

Mas por hora eu deixo os dois
Para falar em Portela,
Quando lembrou Juliana
Saiu à procura dela
E encontrou Juvenal
Deitado nos braços dela.

O velho voltou calado
Não quis dizer nada não;
Daí chamou o vaqueiro
Entrou em conversação,
Sobre o namoro dos dois
Fez uma declaração.

Ele disse: — Seu Antônio
Quase que fico anormal
Quando encontrei Juliana
Nos braços de Juvenal,
Os nossos filhos precisam
De uma lição de moral.

Por lhe ter muito respeito,
Eu vi, mas fiquei calado,
Iremos chamar os dois
Em um lugar reservado
Por que namoro de jovens
Precisa ser preservado.

Dona Alzira quis zangar-se,
Mas o velho disse: — Calma!
O amor é uma planta
Que nasce dentro da alma,
Não merece desrespeito,
Nem violência, nem trauma.

Seu Antônio disse: — Eu
Tomei uma decisão
Irei mandar o meu filho
Tomar outra direção
Por que faltou com respeito
Com a filha do patrão.

Disse Portela: — Isso não,
Você é meu bom vaqueiro
Pra tudo precisa calma,
Seu filho é rapaz solteiro,
Ele é pobre e ela é rica
Mas nada importa dinheiro.

— Portanto vamos chamar
Os dois a qualquer momento
Que por serem muito jovens
É cedo pra este evento
Daqui a dois ou três anos
Eu farei o casamento.

Dona Helena alegrou-se,
Alzira ficou calada,
Seu Antônio aceitou tudo
Pela proposta citada,
Portela ficou pensando
No meio de uma cilada.

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Comentários (1):

Em 30/01/2009, às 10:33:55, KLÉVISSON VIANA disse:
Varneci,

Muito obrigado pelo apoio.
As portas da Tupynanquim estão abertas para você, quero publicar um folheto de gracejo de sua autoria, você leva jeito pra escrever humorismo.
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