Postado por Roberto Matos em 04/04/2006 20:19
Desejo
Por que tanto desejo?
Se eu de fato nada desejo,
Além do livro que ainda escreverei.
Sonhando com folhas escritas
Enquanto passo as páginas da vida,
Rapidamente,
Manchando a memória de fatos escuros
E desejos minúsculos.
Eu, que sou verdadeiro spam descarado,
Na noite enviada para endereços passageiros.
Dos coitos seguidos de beijos de boa noite,
Abraços sem tensão, sem saudade.
Quanto desejo, tonelagem e altura,
Guardados em gavetas curtas,
Como cuecas presas às bordas,
Lembranças insistentes de noites vis,
Nomes repetidos e diferentes,
Páginas iguais e sem conteúdo.
Sou do interior, sou do oeste,
Onde homens contam suas farras
Em rodas machistas de riso e dúvida.
Sou áspero e sem roteiro,
Recobro cada detalhe,
De como aprendi a mentir,
Ainda amando a verdade.
Guardando as lembranças pro futuro impresso,
Sem desejo.
Eu repito, repito e repito.
Comentários (1):
Em 6/04/2006, às 01:19:17,
Paula Cury
disse:
Porque é inevitável desejar. Faz parte do respirar e essas coisas de viver e buscar algo lá na frente, de uma forma ou de outra, mesmo quando parece que não se sai do lugar.
Beijos