
Postado por mma em 10/12/2008 01:48
Granma
Bateu o cuco na sala.
Acorda, solidão! Hoje é você quem me faz companhia...
Meia noite e ainda nada aconteceu...
Deve ser assim viver ao lado teu.
Quantos tropeços e desacertos, mas hoje (talvez só hoje) eu serei apenas eu!
Acorda os versos, acorda as rimas e amarra minhas meias verdades e mentiras.
Quem sou eu quando o samba toca?
Quem és tu que nunca procura teu espelho?
Ainda virão muitas noites em claro, muito mares e marujos.
Meus pés ainda não pisaram, porque embora lhe pareça estranho, eu ainda não nasci.Sou pó, pedra, verme, qualquer coisa que seja também de ti.
Mas, sou graça, verbos em caça do silêncio perfeito.
Haja solidão!
Num tempo ritmado que trouxe a batida impecável,
veio a nota sozinha e trouxe-me a consoante em pés descalços...
Ah! Como adoro os pés descalços...
Venha marujo, encoste teu vistoso olhar malicioso em minha carícia...
Gritos!Gritos mais altos!Gritos de quem esqueceu a elegância do sussurro!
Nasci para as reticências, mas hoje (talvez só hoje) eu sou ponto.
Ponto e espanto de quem tem pranto e apenas um salto alto em areia fofa.
Olha este mar, que lindo mar...
Olha como dança esta valsa, como me traz esta aflição na alma...
Olha este mar, que já me ensinou a respirar debaixo d'água.
Vamos, caminhe, suba, volte comigo...
Hoje, solidão, tú não estás mais sozinha.
Hoje (talvez só hoje) eu te faça a companhia que tanto procura.
Talvez não. Talvez queira apenas ser só.
E, cá estou eu! Quanta graça nesta minha falta de virtudes...
Traz! Eu juro que não o quebro de novo. Traz o teu espelho e me confia sua eternidade.
Agora, eu respiro, sou meio impulso e totalmente razão. Que piada!
Outrora chovia, e este escorrego em rosto meu, permitia que minha vontade fosse feita e ninguém haveria de saber.
Outrora era apenas eu, agora sou pena e não mais eu.
Eu sei, não deveria ter levantado com tamanha confusão, mas eu tinha que ver o mar.
Tinha que pular com aquele jeans, que ficou tão colado em mim, me toruxe tanto frio, embora tenha sido uma forma de morrer, mesmo que no mesmo dia acordasse sem ao menos ter dormido. Morria parte daquela parte que já havia morrido. Então, quem morre duas vezes, nasce novamente?
Nasci.
Corre, vem até mim. Agora, a criança sou eu e a mão de quem me trouxe me afaga.
Corre, pois agora minha canção está perdida, e se repete, mil vezes o azul.
Mil vezes as frases mal feitas e os mesmos desejos. Mil vezes as sementes que plantei me atingem com teus frutos enormes e confusos, e escusos, e só eles.
Dorme, solidão...
Veste teu pijama de seda, tua voz tão muda, teu sinais pelo corpo...Dorme solidão, te afago os cabelos, conto aquela mesma estória de tantos...Dorme, eu juro que quando acordar eu não estarei mais aqui.
Dorme porque és tú quem me faz, e se dormires, hoje (talvez só hoje) eu não serei apenas mais um pedaço teu.
Dorme, pois sei que de tantas virtudes que escolhi não ter e outras tantas que me foram negadas, hoje (talvez só hoje), eu possa escolher aquela que lhe trará de volta à vida.
Ela, a solidão, dormiu e cá estou eu.
Com frases de vidro, com os olhos de palha, com três poemas azuis, nove verdades escondidas em mim e um grito ainda preso, pois não sei ao certo o que este quer dizer...
Agora que ela já dormiu, rendo-me ao meu destino preso nestas linhas, e descobri que ainda não sou eu...
Logo hoje (talvez só hoje) que eu seria apenas eu e seria ponto.
Pena, eu sou ainda reticências...
"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar"
Comentários (2):
Em 11/12/2008, às 12:56:59,
Pluto
disse:
lembrou-me cordel. Palavras bonitas as suas, apesar de me fazerem...
bessos
Em 15/01/2009, às 03:37:51,
Tha
|
página pessoal
disse:
De todos, para todos, sempre... a solidão.
Mar que é mar, bem sabe.
Abraços.